Procura-se o Programador Sênior

O que muito é visto nas ofertas de “vagas” para programadores são os rótulos Júnior, Pleno e Sênior. Mas, como saber em qual destes níveis você está ? E, é possível tachar pessoas com estes níveis ?

The Persistence of Memory

Salvador Dali, 1931 - The Persistence of Memory

Já conversei com pessoas que batem o martelo facilmente dizendo:

- É por tempo.  Eu programo em brainfuck há seis anos, logo sou sênior.

Será mesmo ?

Em tempos modernos, fica ainda mais complexo fazer uma avaliação deste tipo para programadores, arquitetos ou engenheiros de software, pois, não é somente uma linguagem de programação que está em análise. É todo um contexto que abrange desde a escolha do ambiente de desenvolvimento até relacionamento com stakeholders e domínio em metodologias e paradigmas de desenvolvimento.

Se temos a análise temporal como inválida, então o que espera-se de um dito sênior ?

Para tal, conversei com três pessoas que estão diretamente envolvidas com estes aspectos.

 

Creio que sim. Existem os profissionais seniores, porém muitas pessoas, e empresas, acabam confundindo o nível do profissional com o seu tempo de experiência.

Em minha visão, o tempo de experiência é importante, porém, não determinante para rotular um profissional, ou seja, é perfeitamente possível existirem seniores com 3 anos de experiência e juniores com 15 anos.

O profissional Júnior, é aquele que já desempenha as tarefas com certa autonômia, porém, necessita de um maior tempo de pesquisa e em alguns casos de orientação.

Por sua vez, o pleno já demora um tempo menor para realizar as mesmas tarefas além de não necessitar de orientações referente aquela tarefa. O que difere o pleno de um sênior é a visão holistica, ou seja, para ser um profissional sênior é preciso possuir habilidades complementares as necessárias para o desenvolvimento daquela tarefa, isso ajuda acima de tudo no desenho de uma melhor solução além de maior facilidade no tratamento de problemas.

Outro ponto que vale ser observado, é que muitas vezes o sênior é destacado para tarefas simples, que não exige um conhecimento avançado, como seguir um procedimento de criação de usuário. Esse fato, além de desmotivar o profissional, gasta recursos de forma imprudente, já que são os seniores que deveriam criar os procedimentos a serem seguidos, além de desenhar soluções para problemas e corrigir falhas críticas ou em serviços críticos.

Vinícius Bufoni, coordenador de engenharia web na Vex

 

 

Este é um assunto interessante. Na maioria dos lugares as pessoas usam “anos de experiência” como medida para classificar. Esta é, na minha experiência, uma das piores maneiras de se fazer este tipo de classificação. Uma pessoa que desenvolve em, digamos, JSP e Servlets Java por 10 anos não necessariamente tem 10 anos de experiência desenvolvendo software, ele tem experiência desenvolvendo JSP e Servlets! E mesmo assim, tempo gasto em uma tecnologia não está diretamente relacionado com proficiência nesta. Enfim, utilizar tempo para medir experiência é, normalmente, uma besteira.

A forma com que eu tenho lidado com esta relação entre níveis de desenvolvedores, atualmente, é usando algo chamado modelo Dreyfus de aquisição de conhecimento: http://en.wikipedia.org/wiki/Dreyfus_model_of_skill_acquisition .

Normalmente eu tenho as áreas em que eu considero que meu time deve ser competente (este post: http://fragmental.tw/2009/11/24/i-wish-i-knew-that-before-getting-this-job-–-slides-and-long-notes da uma idéia sobre quais seriam estas áreas) e uso o Dreyfus para tentar entender onde cada um está nestas competências. Tem funcionado relativamente bem para mim mas ainda é, como sempre será, problemático e, por muitas vezes, injusto.

Phillip Calçado, consultor na ThoughtWorks

 

 

Do meu ponto de vista um profissional sênior é acima de tudo auto suficiente, é o tipo de profissional em que você não precisa passar o que deve ser feito, ele geralmente entende seu papel em uma equipe e como pode contribuir.

Um profissional Sênior consegue tomar decisões e assumir responsabilidades, ele não depende de alocações e precisa de muito pouca supervisão gerencial e técnica.

Geralmente um profissional Sênior também, está sempre atualizado e esta sempre ligado em tendências do mercado e em como adaptar estas novidades a sua realidade nos projetos em que esta envolvido.

“Tempo” de experiência na verdade não é tão importante, mas a diversidade e intensidade da experiência da pessoa é extremamente importante, se ele esteve envolvido uma grande diversidade de projetos e atuou em papeis dos mais diversos, um profissional sênior geralmente consegue se adaptar pois já trabalhou em diversos papéis e com diversos times.

No caso de grandes empresas de Internet, como o Yahoo!, é vital que o profissional sênior entenda de e tenha tido vivência com projetos de grande escala, e que entenda de Sistemas, arquiteturas e plataformas que funcionem com grandes volumes de acesso e demandam muita performance.

Não gosto muito destes rótulos, mas um profissional Pleno depende de um nível de supervisão/apoio maior. Um Pleno também tende a ser mais inseguro na tomada de decisões e definições mais complexas.

Mas a principal diferença é a experiência, bagagem de conhecimento. Em entrevistas sempre pergunto qual foi o maior desastre da carreira da pessoa, espero que ele me diga quais foram os erros e o que ele aprendeu com isso. Isso mostra maturidade em relação a tentativa/erro, onde não se deve temer cometer erros e que sempre devemos aprender com eles e continuar tentando. Isso é chave para ser inovador.

Antônio Carlos Silveira, diretor de Produto e Engenharia, Yahoo! América Latina

Cada um tem seus métodos de análise, mas ficou evidente que contar os dias no calendário já não é mais tão convincente como parecia :)



3 comentários para “Procura-se o Programador Sênior”

  1. Otavio says:

    bacana o post, já presenciei muitos casos de avaliação errada de um profissional, onde o resultado foi muito ruim para a empresa e para o cliente.

    obs: Hélio faz um favor muda a cor da fonte dos textos porque é ruim de ler!HAHAHAAHU

    flw!

  2. Klederson says:

    Eu programo em brainfuck é bem legal :) ainda n sou sênior hauahauahauahuaa

  3. Poxa @hlegius, ficou muito bom o seu artigo. Através dos textos fica fácil concluir que cada empresa enxerga de uma maneira diferente cada nível profissional.

    Não vejo problemas nesta diversidade de visões, mas concordo que a maturidade pessoal deva ser a principal indicação para um profissional verdadeiramente sênior, e isto não quer dizer idade.

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