8++ perguntas à @pedrocavalero

Pedro Cavaléro, Javeiro, engenheiro da computação formado pelo ITA, possui um leque de certificações Java Sun/Oracle e pode ser encontrado no Twitter ou em seu blog pessoal.

Tive a excelente oportunidade de conhecê-lo em minha pós-graduação onde ele na condição de professor ministrou aulas de Java, padrões de projeto e algumas coisas a mais que ele trazia – WebServices, Sistemas distribuídos, … – para agregar ainda mais as aulas.

Recentemente, mandei-lhe um e-mail convidando-o à participar daquelas renomadas 9 perguntas que faço com algumas pessoas no blog. As respostas – e perguntas, claro – seguem:

1. Tudo começou…
Tudo começou quando minha mãe disse pra mim: “Meu filho, vou comprar um consórcio (olha como era difícil) de um computador”. “Legal mãe”, eu disse. “Pra que serve isso?”. Tinha eu 12 anos, numa era pré-internet. Quando chegou minha então 8a. série eu já havia decidido que ia trabalhar com computador. O quê exatamente ainda era incógnita.

2. Formado em Engenharia da Computação pelo ITA. Como foi o processo “pré-universidade” e sua relação com o mundo exterior após ingressar ?
No meu ano de vestibular (3o. ano) descobri o ITA. Vi (já pela internet, numa era pré-google) que era um lugar onde eu poderia ir para São Paulo, numa faculdade renomada, e que teria um apoio de moradia e alimentação. Coisa que uma USP não me daria. Sou do Norte, de Belém do Pará. Era preciso um apoio pra que eu conseguisse isso.
Passei, e quando cheguei aqui percebi o tamanho da briga que eu tinha saído (não tinha noção da briga que era o vestibular do ITA) e da briga que eu tinha entrado (o ITA mesmo). Muito mudou minha forma de ver o mundo, muito estudo mas principalmente as amizades que o clima do alojamento do ITA traz. E, aos retornos pra casa durante as férias, a saudade e o carinho de quem fica longe.

3. O ITA é uma instituição de renome no país. Como um ex-aluno, de que forma você avalia o ensino, ambiente e convivência na universidade e, na sua opinião, qual o diferencial do ITA em relação as demais ?
O diferencial do ITA são os alunos. Mas, se não fosse a cobrança severa dos professores com as provas, faltas, as regras do ITA (como não poder repetir mais de uma vez o ano, de ser reprovado em no máximo 5 matérias durante o curso inteiro) e a disciplina consciente (nós no ITA abominamos cola. Quem cola é expulso de lá pelos próprios alunos com aval dos professores. Assim conseguimos fazer prova em casa, por exemplo. E sem consulta!) forçam os alunos a se organizarem, se unirem, tornarem-se companheiros. Sempre se diz por lá que quem se isola não termina o curso.

4. Durante as aulas que ministrou em meu curso de pós, ficou bem claro que é um Javeiro nato, porém, diferente de muitos que já conheci, mente aberta para outras tecnologias – PHP, oi ?. Qual tecnologia você investiria tempo hoje e por quê ?
Java foi minha área de expertise e continua sendo. Uma tecnologia altamente abrangente e sólida. Mas não sou fanático como alguns. Reconheço os prós e contras da tecnologia e da linguagem. Por isso mantenho minha mente aberta para estudar outras tecnologias. Algumas, como o PHP, são muito presentes no dia-a-dia da internet e é preciso conhecê-las. PHP eu admiro pela abrangência, o que me impele a conhecê-la, mas vejo nela muitos revezes. As tecnologias da Microsoft são excelentes, mas possuem uma filosofia que não concordo. Tenho a mentalidade livre e por isso o Software Livre me seduz. O Java hoje consegue ser bem mais livre, com suas JSRs e JCPs e implementações de VM diversas.

As tecnologias que eu invisto tempo hoje são o próprio PHP, por necessidade; a linguagem Scala, pra mim a linguagem mais completa que temos hoje. Scala melhora minha modelagem orientação a objetos, entendimento de programação funcional, capacidade de criação de scripts simples e sistemas altamente escaláveis (twitter) e complexos. E integra com Java, que possui uma base sólida de frameworks para uso. Ainda gostaria de estudar Python, pela programação linux e sua capacidade de utilizar bibliotecas C e C++ sem ter que utilizar essas linguagens, mas o tempo não permite… Ah, ainda pesquiso ferramental que permita um desenvolvimento mais rápido sem perder a beleza de um código bem modelado.

5. Certificações. Você tem uma porção delas, inclusive a SCEA que é um sonho ainda para mim. Elas agregaram alguma coisa na sua vida profissional ou foi mais para satisfazer seu lado pessoal – pendurar na parede ?
Eu ainda não terminei o SCEA. Passei na primeira parte e ainda falta terminar o projeto. Ainda quero fazer isso esse ano. Mas tenho outras cinco, desde a de Associates até a de Java Web Services. Elas começaram a me abrir portas em outros lados profissionais, em particular as aulas pois precisava de algo que comprovasse meus conhecimentos em Java sem ser por uma prova. Mas as portas foram mais abertas pelo Networking do que pelas certificações.
Elas começaram para satisfazer um lado pessoal. Eu trabalhava e me considerava bom naquilo e era uma forma de me forçar a estudar mais e ter um comprovante disso, além do trabalho. Fazer certificações obrigam você a se aprofundar mais nos detalhes, coisa que não se faz no dia-a-dia. E a minha empresa me incentivava a esse crescimento, sem me obrigar. Isso ajuda muito.
Eu indico as certificações. Mas não as considero como única credencial. Dá para tirar o SCJP e não saber nada de Web. Isso ser pré-requisito para um trabalho com Web não é muito lógico. Elas devem ser um meio, não um fim a ser perseguido.

6. Java e Oracle. Como um Javeiro, você teme alguma ação que venha a prejudicar a comunidade ?
Sim, temo. James Gosling saiu de lá. Vários outros saíram. Houve muitas demissões. Mas as atitudes até então tem nos tranquilizado. O Netbeans não acabou, o MySQL também não, apesar do futuro ainda incerto. A JVM continua free embora tenha tido algumas mudanças na licença, que geraram algumas repercurssões.
A Sun antes de ser vendida parece que se organizou para que isso não ocorresse. A OpenJDK foi uma jogada de mestre. Esperamos que a Oracle continue nesse caminho.

7. Hoje muito se fala sobre boas práticas, padrões de projeto, modelagem rica, desenvolvimento orientado à testes e arquitetura em camadas. Qual a dica que você, um arquiteto de software, deixaria para aqueles que tem a arquitetura/engenharia de software como objetivo ? Quais passos indicaria para aqueles que pretendem lá chegar ?
Comecem do começo. Desenvolvam com alguém mais senior, aprendam como escrever um bom código. Façam modelagem de problemas, depois estudem o Gof. O Gof deve ser entendido e não usado simplesmente para dizer que seu projeto usa padrões de projeto. E ele é melhor entendido depois que você teve o problema. Ao arquitetar, lute pelas bases, alta coesão, baixo acoplamento. É isso que todas as grandes arquiteturas buscam fazer. O Spring nasceu com esse propósito. As arquiteturas padrão sempre lutaram por isso, apesar das dificuldades iniciais.
Com essas bases, generalize. Estude tudo o que puder. Cada coisa nova é uma visão nova que se abre. Tudo tem seus prós e contras, e esses dependem do contexto que seu problema está. A arquitetura por melhor que seja não é a adequada para todos os casos. Saber analisar o contexto e saber colocar a arquitetura mais adequada em cada caso é o trabalho do arquiteto. Tem que gostar não é?

8. Nas suas atuais responsabilidades, o gerenciamento, seja de pessoas ou projetos, provavelmente está incluso. Como você costuma gerenciar seu time, cronograma, divisão de atividades e até, relacionamento entre todos ?
Eu fiz minha pós-graduação em Gerência de Projetos. Interessante quando você estuda o PMBOK é que parece que sua tarefa termina quando o Plano do Projeto está pronto. Mas na realidade é quando ele começa. Eu trabalho um pouco na gerência do projeto, com os cronogramas e atividades e principalmente com a liderança técnica da equipe do projeto, organizando e mantendo as atividades integradas.
A parte mais difícil é o gerenciamento das pessoas. Como manter a equipe coesa, motivada e com a produção no seu melhor? Eu gosto da máxima do Manifesto Ágil, “Indivíduos e interações mais do que processos e ferramentas.”. Conheça sua equipe, conheça os potenciais, seja transparente e confie. Mostrar que você confia na equipe é muito importante.

8++. Javeiro, Arquiteto de Software e professor. Quais os possíveis próximos passos em sua carreira ? Imaginou-se assim algum dia ou tudo aconteceu como um “acaso” ?
As coisas tem acontecido naturalmente, sem muito planejamento. O esforço no estudo e na relação interpessoal tem me impulsionado nessa direção. Tenho pensado em investir mais em dar aulas mas sem parar de desenvolver como principal atividade. Para ensinar é preciso ter experiência, é isso que dá mais crédito àquele que fala.
Espero mais para frente ter outras oportunidades, investir um pouco mais no estudo dos processos ágeis ou na melhoria dos tradicionais. Mas, acima de tudo, gosto de ver pessoas vindo trabalhar ou estudar comigo e saindo profissionais melhores, de saber que pude contribuir com algo de útil. Conseguir fazer isso e ainda gerar resultados, é uma experiência de vida muito gratificante.

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2 comentários para “8++ perguntas à @pedrocavalero”

  1. Obrigado Hélio! Fico honrado com a lembrança! Espero que tenha gostado! Abraços!

    • Rogério Gomes says:

      Trabalhei com o Cavalero no CCA. Rapaz muito bom, comprometido, inteligente e divertido. Parabéns Cavalero !!!

      Abs.

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